Em algum momento fui elogiado por escrever tal qual falo. Naquele instante, não entendi muito bem mas realmente é um verdadeiro alívio quando percebemos, no decorrer da leitura, a sedução de quem participa de uma conversa... ler quem escreve como fala é perder um pouco a aridez que o distanciamento que uma linguagem formal pode provocar.
O primeiro livro lido em 2011 - pois como sempre estou lendo vários ao mesmo tempo, foi a autobiografia do Lobão.
Quanta história.
Tanta que em alguns momentos pareceu-me prolixa, tratando de detalhes - especialmente nas primeiras 150 paginas que não me eram tão relevantes, relacionados à sua infância e família. Só depois vc percebe a importância daquelas páginas ao se deparar com tantos problemas familiares. Problemas "Nelson Rodrigueanos" como diriam alguns... mas que hj são de fato disfunções que já não se escondem. Se um dia... foram problemas que traumatizavam, envergonhavam... percebo que de tema para filmes de drama hoje encontramos mtas comédias sobre o assunto... o clichê "rir pra não chorar" acaba resolvendo...
É... Woody Allen repetidas vezes ensina isso... que eventualmente "o clichê resolve"...
Mas o livro está muito longe de ser clichê.
Há fatos totalmente estranhos para mim. Na minha paixão pela música, desprovida de qualquer talento musical ou mesmo uma frágil persistência em dominar um instrumento musical mas que ainda fantasia num palco na execução de um rock.... Eu "me achava" bem informado naquela época... leitor das publicações especializadas "revista Bizz", percebo a plena alienação daquela época. Eu que agarrei com paixão o rock de Brasília, descubro histórias que nem imaginava... do rock carioca.. marginalizado e dominado por multinacionais... Rivalidades, perseguições, malandragem, bandidagem e muita sacanagem.
Pode-se dizer que se trata de um artista que está mto além da compreensão daquela época, quiçá a atual... musico que sequer conseguiu cheirar o que fazia jus pois aparentemente perdido em meio ao caos vivenciado. Tragédias e combates de Dom Quixote com a convicção sóbria que invariavelmente o reduz a saco de pancadas.
Muitas histórias merecedoras de grandes reflexões.
Um defeito que pode ser virtude… o livro deixa uma tremenda sensação de quero saber mais… talvez o livro não tenha se debruçado tanto nas músicas clássicas quanto eu queria… não detalhou determinadas passagens como achava que deveria ser… não tratou de pessoas que pensava deveria ter… Parece-me que a parte que já conhecia – aquela vendida pela mídia rancorosa é a q menos interessa a ele…. quem sabe se não é a primeira parte né?
1 respostas para ““50 anos a mil””
Laíce
11 janeiro, 2011 às 15:09
Gonçalbert, seu texto, com linguagem sutil, me fez refletir sobre esse mundo que está por trás dos refletores. Levou-me a querer ler o livro, justamente por tratar o assunto pela visão de um fã conhecedor desse período, mas que analisa o fato sem as paixões tão comuns de todos aqueles que admiram o Lobão. Eu particularmente só conheço as polêmicas desse cantor, mas as informações trazidas por você despertaram a minha curiosidade.
Parabéns pelo texto e pelo blog.
Agora será obrigatório dar uma passadinha por aqui.